Professor Leonardo Castilho (Sociologia)


A televisão brasileira (2° ano) - (2° bimestre)

A televisão brasileira

                      A televisão chegou ao Brasil no início da década de 1950, quando o jornalista Assis Chateaubriand inaugurou a primeira emissora brasileira, a TV Tupi, de São Paulo.

Em seguida à implantação da TV Tupi, foram inauguradas a TV Paulista, em 1952, a Record de São Paulo, ,em 1955, a TV Itacolomi de Belo Horizonte e a TV Rio, em 1958.

 

DOMICÍLIOS BRASILEIROS COM TELEVISÃO (EM %)

Região

1960

1970

1980

1990

2000

2008

Norte

0,00

8,00

33,90

48,70

69,70

90,00

Nordeste

0,26

6,00

28,10

47,20

78,50

91,70

Centro-Oeste

0,34

10,50

44,70

69,70

87,10

94,60

Sudeste

12,44

38,40

74,10

84,40

94,20

97,60

Sul

0,80

17,30

60,50

79,70

91,50

96,40

Brasil

4,60

22,80

56,10

71,00

89,10

95,10

 

Ao longo dos mais de 50 anos de histórias da televisão brasileira, o Estado, por intermédio dos sucessivos governos, influiu diretamente nessa indústria. Sempre deteve o poder de conceder e cancelar concessões, mas nunca deixou de estimular as emissoras comerciais.

Foi a partir de 1964, com o início do regime militar, que a interferência do Estado na televisão aumentou de forma quantitativa e qualitativa. As telecomunicações foram consideradas estratégicas militares, pois serviriam de instrumento para colocar em prática a política de desenvolvimento e integração nacional.

Durante o regime militar, as redes de televisão – que eram privadas – obedeciam fielmente às determinações do Estado (que tinha o poder de conceder e retirar concessões quando bem entendesse), cumprindo à risca o que mandava o governo militar. Os programas transmitidos passavam a impressão de que o governo era legítimo e vivíamos numa democracia. A maior beneficiária desse modelo foi a Rede Globo. Fundada em 1965, cresceu rapidamente, apoiada nas relações amistosas com o regime militar, em sintonia com o incremento do mercado de consumo.

O modelo de televisão estabelecido pela ditadura sobreviveu ao regime militar e ganhou ainda mais poder. Com o fim do regime, as emissoras continuaram atendendo aos governos seguintes, sempre dando a impressão de ser livres e democráticos. A televisão converteu-se, enfim, em fonte de poder político.

As relações entre o Estado e as emissoras modificaram-se na década de 1990, quando os investimentos públicos diminuíram, a censura foi abolida e o mercado se alterou com a introdução da transmissão a cabo.



Escrito por Leonardo Castilho às 17h56
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Consumoversus consumismo (2° ano) - (2° bimestre)

Consumo versus consumismo

O consumo como forma de satisfação de necessidade básica faz parte da existência do homem enquanto ser cultural.

Nas sociedades que passaram pelo processo de industrialização, a apreensão dos conteúdos simbólicos da cultura não se faz apenas por intermédio do consumo, mas, principalmente, por meio do consumismo.

Muitas propagandas, ao tentar vender seus produtos, não apelam para uma necessidade que o indivíduo tem e que aquele produto irá preencher ou satisfazer, mas sim a desejos que ele nem sabe que tem ou que muitas vezes não tem.

Muitas vezes as propagandas usam frases como: “Esse produto trará uma satisfação que você não espera”, ou algo similar. Ou seja, ela vende não a satisfação de uma necessidade existente, mas a criação de uma nova necessidade que aquele produto irá suprir e ela nem sabia que isso seria possível.

Não é raro que a propaganda, transmitida pelos meios de comunicação, trabalha a ideia de que o produto pode mudar a vida da pessoa ou de que a mesma não tem consciência de como isso poderia ser bom para ela.

A incessante criação de desejos implica na contínua substituição dos objetos, uma vez que novas necessidades são criadas o tempo todo e assim nos baseamos no excesso e no desperdício. O volume de novidades rapidamente torna obsoletas levas e levas de produtos. Há então um excesso de novidades.

Nas sociedades que passaram pelo processo de industrialização não há apenas o consumo enquanto forma de satisfação de necessidades básicas; há também o consumismo. Ou seja, o consumo contínuo e incessante de bens, serviços e produtos muitas vezes supérfluos.

Muitas vezes as propagandas vinculadas pelos meios de comunicação de massa procuram vender produtos que muitas vezes agradam pessoas dos mais diferentes lugares. Mas, muitas vezes elas não vendem apenas produtos, mas também sentimentos, como a felicidade.



Escrito por Leonardo Castilho às 17h28
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O trabalho como mediação (2° ano) - (3° bimestre) - (folha n°1)

O trabalho como mediação

 Na perspectiva sociológica, os animais não trabalham, só o homem trabalha. O trabalho é visto como uma atividade que ajuda o homem a construir sua condição como ser humano.

A espécie humana partilha com as demais a atividade de atuar sobre a natureza de modo a transformá-la para melhor satisfazer suas necessidades. Entretanto, o que importa quanto ao trabalho humano não é a semelhança com o trabalho de outros animais, mas as diferenças essenciais...

Karl Marx desenvolveu a dialética, em que o método que permite a explicação da história das sociedades humanas a partir das relações sociais de produção, como o exemplo abaixo:

 

 

Mas o que distingue o pior arquiteto da melhor das abelhas é que o arquiteto projeta sua obra antes de construí-la na realidade. No final de todo processo de trabalho, temos um resultado que já existia na imaginação do trabalhador desde o seu começo (Karl Marx)

 

O trabalho humano, portanto, distingue-se do trabalho animal, pois o homem planeja antes de executar uma atividade. O homem age sobre a natureza, transformando-a.

Desta maneira o trabalho é uma atividade de mediação entre o homem e a natureza.

O homem emerge gradualmente, desenvolve-se e se torna um ser humano no exercício de sua atividade, de seu trabalho, da sua produção social, ou seja, ao trabalhar, o homem humaniza a natureza e se constrói como ser humano, ou seja, o trabalho humaniza o homem, pois ele age de forma deliberada e consciente sobre a natureza.

É por isso que o trabalho é visto como uma atividade que ajuda o homem a construir sua condição como ser humano.

 

                                                                                                        

O trabalho livre sucedeu historicamente a outras formas de trabalho, como a escravidão e a servidão. Na Grécia Antiga, o trabalho era uma atividade exercida pelos escravos. Na Idade Média, as pessoas trabalhavam nos campos, ligadas a um senhor feudal, ou moravam nos burgos e eram artesãos. Em todos esses momentos da história, as pessoas executavam algum trabalho, mas não tinham emprego. O emprego só se dissemina com o capitalismo. Nele o trabalhador vende a sua força de trabalho (física ou mental) em troca de um salário. Ao conseguir o emprego, o trabalhador assina um contrato de trabalho que específica suas funções. Ao contrário do que ocorria na Antiguidade, em que os escravos eram uma propriedade, e na Idade Média, em que os trabalhadores eram servos presos à terra do senhor feudal, no capitalismo os trabalhadores são livres para procurar outras condições de trabalho em um novo emprego.

 



Escrito por Leonardo Castilho às 17h25
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Divisão social do trabalho e divisão manufatureira do trabalho (2° ano) - (3°bimestre) - (folha n°2)

Divisão social do trabalho e divisão manufatureira do trabalho

        A sociedade moderna resultou de um processo de transformação, da constituição de um novo modo de trabalhar, de relações sociais diferentes, de um novo modo de vida marcado pelo desenvolvimento industrial.

Por que manufatura? Um empresário com capital para comprar a matéria-prima e ferramentas e concentrar em sua oficina um grande número de trabalhadores. Em vez de distribuir esses meios de produção nas casas dos trabalhadores, o comerciante transformando em industrial os junta sob um mesmo teto, criando assim a manufatura. A existência de trabalhadores livres, ou seja, que não são mais donos dos meios de produção e dependem, para a sua sobrevivência, da venda de seu trabalho, ou seja, sua força de trabalho, transformando-se, assim, em trabalhadores assalariados.

A divisão do trabalho deriva do caráter específico do trabalho humano e ocorre quando os homens na vida em sociedade dividem entre si as diferentes especialidades e ofícios; existindo em todas as sociedades conhecidas e devendo muito à divisão sexual do trabalho. Ou seja, no início, havia uma divisão entre especialidades ou ofícios que eram preferencialmente atribuídos às mulheres e outros que eram executados por homens. Por exemplo, a fiação e a tecelagem eram vistas como atividades femininas, enquanto a caça, a pesca e a pecuária eram atividades masculinas.

Aos poucos o trabalhador foi deixando de ser responsável pela produção integral de determinado objeto e passou a se dedicar unicamente a uma atividade. Houve um aceleramento da divisão do trabalho, fazendo com que um produto deixasse de ser obra de um único trabalhador e se tornasse o resultado da atividade de inúmeros trabalhadores.

Dessa maneira, o produto passava por vários trabalhadores, cada um acrescentando alguma coisa a ele e, no final do processo, o produto era o resultado não de um trabalhador individual, mas de um trabalhador coletivo.

Essa é a divisão que persiste na sociedade capitalista, e que se caracteriza pela especialização das funções, ou seja, pela especialização do trabalhador na execução de uma mesma e única tarefa, especializando-se e especializando o seu corpo. É isso que torna o trabalhador dependente e o faz vender a sua força de trabalho; e esta só serve quando comprada pelo capital e posta a funcionar no interior da oficina.

Segundo Karl Marx, essa divisão de trabalho tinha como objetivo o aumento da produtividade e o aperfeiçoamento do método de trabalho, e teve como resultado o que ele chama de a virtuosidade do trabalhador mutilado (limitação das habilidades do trabalhador, reduzido ao exercício de uma única e repetitiva atividade).

Para Marx, a mudança para a industrialização e a mão de obra assalariada certamente resultaria numa alienação entre os trabalhadores. Uma vez que estivessem empregados numa fábrica, os trabalhadores perderiam todo o controle do seu trabalho, sendo obrigados a desempenhar tarefas monótonas, de rotina, que despojariam seu trabalho do valor criativo intrínseco. Em um sistema capitalista, os trabalhadores acabam adotando uma orientação instrumental para o trabalho, vendo-o como nada mais do que um amaneira de ganhar a vida.



Escrito por Leonardo Castilho às 17h24
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Transformações no mundo do trabalho (2° ano) - (3° bimestre) - (folha n°6)

Transformações no mundo do trabalho

 Estudos realizados demonstram que a riqueza de alguns países capitalistas não para de aumentar, mas, ao mesmo tempo, aumentam as taxas de desemprego e o número de excluídos do mercado de trabalho. O crescimento econômico ocorre, portanto, acompanhado pela redução dos postos de trabalho, ou seja, ele não leva ao pleno emprego.

Se, por um lado, exigem-se novas qualificações e maior escolaridade, por outro são criadas formas degradadas ou precárias de trabalho. Logo as transformações no mundo do trabalho são extremamente contraditórias.

Taylorismo – por taylorismo entendemos as modificações introduzidas por Frederick Taylor, no final do século XIX, no modo de produzir, sustentadas essencialmente por um estudo de tempos e movimentos. O objetivo era controlar e determinar os métodos de trabalho, selecionando os trabalhadores e as ferramentas mais adequadas para o trabalho a ser realizado

Fordismo – o fordismo tem como principal elemento a introdução, por Henry Ford, em 1913, da linha de montagem com esteira na produção de automóveis. No entanto, mais do que inovação tecnológica, o fordismo se caracteriza por ser um sistema com uma ampla divisão do trabalho, produção em massa de bens padronizados, sindicatos relativamente fortes e aumentos reais de salários

A junção do controle de tempo com a esteira na linha de produção recebeu o nome de fordismo-taylorismo. Esse foi o sistema de produção predominantemente até a década de 1960, que se caracteriza por: produção em massa e altamente homogeneizada, utilização do trabalho parcelar, o operário visto como um apêndice da máquina, executando atividade repetitiva. Conseguiu reduzir o tempo de produção e aumentar o ritmo. Era a mescla da produção em série fordista com o cronômetro taylorista a dimensão intelectual do trabalho ficava a cargo de bem poucos, pois utilizava uma grande massa de trabalhadores pouco ou semiqualificados.

 

As principais características de uma nova ordenação social e política definida com base em um novo modo de produção, denominado de regime de acumulação flexível. Trata-se agora de um novo momento em que tudo deve se tornar mais flexível – o trabalhador, as relações de trabalho, os direitos do trabalho, os horários do trabalho, os salários.

Uma das principais conseqüência da flexibilização na produção diz respeito ao mercado de trabalho, com a imposição de regimes e contratos de trabalho mais flexíveis. O trabalhador com emprego regular, diante do risco da demissão, submete-se às exigências específicas de cada empresa, o que pode significar: baixos salários, longas jornadas de trabalho com o aumento das horas extras, intensificação do ritmo do trabalho.

Mas, além dessas conseqüências para aqueles que têm um emprego, ocorre aumento do trabalho em tempo parcial, do trabalho por tempo determinado ou temporário, do trabalho em domicílio ou do trabalho autônomo. As formas estáveis de trabalho estão sendo substituídas pelas formas precárias, geralmente acompanhadas por uma redução nos salários, sem garantias ou benefícios sociais e em condições inferiores quanto à segurança e às instalações.



Escrito por Leonardo Castilho às 17h21
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Violência (2° ano) - (4° bimestre) - (folha n°1)

Violência

 Violência é geralmente relacionada a atos criminosos ou a atos que geram danos físicos para a pessoa que sofre a ação violenta.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no Relatório Mundial sobre a Violência e Saúde. Genebra, 2002, a violência pode ser definida como: o uso intencional de força física, ou do poder contra si mesmo, outra pessoa, um grupo ou uma comunidade.

O uso da força pode ser:

a-) real, ou seja, quando chega às vias de fato e resulta em dano;

b-) em forma de ameaça, isto é, quando representa alta probabilidade de causar dano psicológico, lesão, deficiência de desenvolvimento, privação ou morte.

A violência pode ser entendida como a ação de um indivíduo ou grupo contra uma ou mais pessoas a fim de causar danos. Essa violência pode ser direta, quando atinge imediatamente o corpo da pessoa que a sofre; ou indireta, quando se dá por meio da alteração do ambiente no qual ela se encontra; ou ainda, quando se retiram, destroem ou danificam os recursos materiais. Tanto a forma direta quanto a forma indireta prejudicam a pessoa ou grupo alvo da violência. É preciso incluir a violência simbólica, que não causa a morte física, mas atenta contra as crenças, a cultura e a própria identidade dos indivíduos que dela são vítimas.

A dimensão mais perceptível da violência contra outro ser humano é aquela que gera danos (permanente ou não) à sua integridade física, denominada de violência física. Alguns exemplos: tapas, empurrões, chutes, mordidas, queimaduras, tentativas de asfixia, de afogamento, de homicídio. Boa parte dos atos entendidos como formas de violência física são tipificados como crimes de lesão corporal, isto é, quando ofendem a integridade e a saúde corporal de outra pessoa. No limite, a violência física leva à morte da vítima. Nesse caso, a violência física é tipificada como crime de homicídio.

A violência física também pode assumir conotação sexual, quando a pessoa é constrangida a manter relações sexuais contra sua vontade. (nesse caso, é denominada crime de estupro).

A violência não necessariamente precisa deixar marcas no corpo de uma pessoa. A própria ameaça de violência física gera transtornos de natureza psicológica que constrangem a vítima a adotar comportamentos contra sua vontade ou, ao contrário, privam-na de sua liberdade. Por essa razão, esse tipo de violência é denominada violência psicológica. Alguns exemplos são humilhações, ameaças de agressão, danos propositais, privação de liberdade, assédio sexual.

A percepção ou não da condição de vítimas é uma questão fundamental para a compreensão da dimensão simbólica da violência, ou seja, quando as relações de dominação entre grupos sociais encontram-se tão enraizadas e naturalizadas que a violência exercida de uns sobre os outros é vista como uma parte “natural” da ordem social estabelecida. Como por exemplo, na nossa sociedade as relações entre homens e mulheres encontram-se noções de que os homens são mais fortes, e as mulheres, fisicamente mais frágeis.



Escrito por Leonardo Castilho às 17h19
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